Porto Alegre - Domingo, 20 de Janeiro de 2019
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Bicho de Rua

Extermínio dos Pitbulls

Clamar pelo extermínio é algo fora de propósito. Fala-se tanto em preservar o patrimônio genético da biosfera e vem alguém querer acabar com uma espécie...

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Clamar pelo extermínio é algo fora de propósito. Fala-se tanto em preservar o patrimônio genético da biosfera e vem alguém querer acabar com uma espécie...

No atual estágio do conhecimento humano seria de se esperar que a violência já tivesse sido banida. Não está, todos sabemos. Mas não estou me referindo a essa violência do dia-a-dia com a qual já quase nos acostumamos. Refiro-me à outra, mais sutil, pois cometida por pessoas que sob variados pretextos usam os seus poderes de comunicação, expandindo visões míopes que acabam por contaminar o pensamento de muitos. O caso é relativo à campanha recente contra cães da raça Pitbull.

A razão, aparentemente nobre, pois saiu na defesa de uma monstruosidade que foi o ataque e morte de uma menina, perde seu sentido se formos usar o intelecto para uma análise mais profunda.

Evidentemente que nos enche de revolta tal brutalidade e entende-se o comportamento humano do pai que matou o cão a pauladas. Mas o que quero é denunciar a campanha em curso.

Situações semelhantes já ocorreram em passado recente contra outras raças. Agora é a vez dos Pitbulls. E sabem por quê? Porque este é um dos cães da moda. Desde que o homem domesticou os animais, entre eles principalmente o cão, o cavalo e o gato, estes seres são cada vez mais dependentes.

Só diz que estes animais são totalmente irracionais quem nunca conviveu com algum deles. Basta observar e ver que em todos eles existe um quê de inteligência. O Pitbull não é diferente. A seguir o raciocínio do extermínio, talvez devêssemos também estender a mesma idéia a outras espécies, pois já vi cães de raças, ditas mansas, comportarem-se de forma extremamente agressiva.

Os animais domésticos diferenciam-se dos selvagens, principalmente pela estreita convivência com o ser humano a milhares de anos. Tanto eles dependem do homem como o inverso. Ou seja, são seres interdependentes e em fase de evolução, assim como nós humanos que como bem se sabe também são capazes de produzir feras. É um erro engrossar e dar força ao extermínio.

Na verdade, o problema não está nos cães mas nas pessoas que os criam, despejando neles, muitas vezes, todas as suas patologias. De tal forma volta a se enfocar o problema que muitos, desavisados, acharão mais fácil engrossar o coro dos que clamam pelo extermínio, do que parar para pensar e ver o que fazer a favor da sociedade doente na qual vivemos.

Entretanto, nunca como agora, ao redor do mundo se falou tanto em bem-estar animal. É uma nova ciência que floresce e que aos poucos - muito aos poucos mesmo - vai livrando os animais do jugo da dita raça superior, os humanos.

Clamar pelo extermínio é algo fora de propósito. Fala-se tanto em preservar o patrimônio genético da biosfera e vem alguém querer acabar com uma espécie. Acredito que muitos o fazem arrebatados pela emoção, mas se pararem para pensar verão que se trata de um engano. Confúcio já havia dito: "Há pouca diferença entre os homens e as feras. E muitos reduzem esta diferença a nada."

Por Paulo S.T.da Cruz- Veterinário

 

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